A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou nesta quarta-feira (29) um relatório alarmante sobre a repressão interna no Irã desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada no final de fevereiro de 2026. De acordo com o Escritório de Direitos Humanos da ONU, pelo menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4.000 foram presas em acusações relacionadas à segurança nacional desde o início do conflito. O impacto da guerra e as ações do governo iraniano, no entanto, não se limitam à violência no campo de batalha, com um número crescente de violações dos direitos humanos dentro do próprio país.
Executados e Detidos por Motivos Políticos e de Segurança Nacional
O balanço da ONU detalha que, desde fevereiro, 9 pessoas foram executadas por suposta participação nos protestos que eclodiram em janeiro de 2026, enquanto 10 foram executadas por suposta participação em grupos de oposição e outras duas sob acusações de espionagem. O Irã tem se destacado pela intensificação de sua repressão interna, com um número alarmante de prisões e execuções, além do uso de métodos brutais de coerção e tortura.
Além das execuções, mais de 4.000 pessoas foram presas sob acusações de segurança nacional, muitas delas de forma arbitrária e com relatos de abusos. O escritório de Direitos Humanos da ONU denunciou que muitos dos detidos foram vítimas de desaparecimentos forçados, tortura física e psicológica, e tratamentos cruéis e degradantes. Em alguns casos, as confissões obtidas sob coação foram transmitidas pela televisão estatal, o que levanta sérias preocupações sobre os processos judiciais acelerados e a negação do direito à defesa legal.
Narges Mohammadi: Saúde Agravada e Condições de Prisão Desumanas
A situação de Narges Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, é um dos casos mais alarmantes citados pela ONU. A ativista, que tem sido uma crítica feroz do regime iraniano e defensora dos direitos humanos, sofreu um ataque cardíaco recentemente, e seu estado de saúde está se deteriorando. Mesmo assim, ela continua presa em condições extremamente precárias, sendo mantida em uma prisão onde compartilha cela com criminosos violentos, o que coloca sua vida em risco. As condições de encarceramento de Mohammadi são emblemáticas da situação de milhares de outros prisioneiros políticos e ativistas no país.
O Uso da Tortura e a Falta de Acesso ao Processo Legal
De acordo com o relatório, muitos dos acusados no Irã são submetidos a julgamentos rápidos e sem o devido processo legal. A ONU destacou que os presos muitas vezes são privados de seu direito a um advogado de sua escolha e são forçados a fazer confissões sob tortura. Alguns dos julgamentos contra manifestantes, incluindo os que resultaram nas execuções, foram baseados em confissões obtidas sob coação, o que levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade e legalidade dos processos.
Bloqueio de Internet: Uma Realidade Impossível de Ignorar
Outro ponto crucial levantado pela ONU foi o bloqueio quase total do acesso à internet no Irã, que já dura 61 dias. Este é um dos bloqueios mais longos e severos registrados no mundo, dificultando a comunicação e a disseminação de informações dentro do país e além de suas fronteiras. O controle rígido da internet visa impedir a organização de protestos e a mobilização de opositores, mas também coloca em risco o acesso a informações vitais para a população, além de isolar o Irã do resto do mundo.
Críticas Internacionais e Apelo por Ação
O alto comissário de direitos humanos da ONU, Volker Turk, condenou as ações do regime iraniano, afirmando estar “chocado com a forma brutal com que os direitos do povo iraniano continuam sendo suprimidos”. Turk fez um apelo urgente ao governo iraniano para que suspenda imediatamente as execuções, assegure que todos os cidadãos tenham acesso a um devido processo legal e liberte os prisioneiros políticos.
A ONU também alertou sobre o risco iminente de mais execuções e tortura, especialmente para aqueles acusados sob a vaga e ampla definição de crimes contra a segurança nacional. Crianças e adolescentes continuam sendo alvo das autoridades, com o risco de serem condenados à morte, gerando um cenário de grave violação dos direitos humanos no Irã.
A Repressão Continua e o Mundo Observa
As denúncias da ONU expõem a grave crise de direitos humanos no Irã, que se agrava com a guerra em andamento e a repressão política interna. Em um contexto onde a comunidade internacional observa de longe, o governo iraniano continua sua campanha de silenciamento e controle, colocando em risco vidas e destroçando as liberdades civis. Com a saúde de líderes como Narges Mohammadi em risco e milhares de prisioneiros políticos enfrentando condições desumanas, o apelo por ação da comunidade internacional é mais urgente do que nunca. O Irã permanece um dos países mais críticos no que diz respeito ao respeito pelos direitos humanos e à proteção dos direitos fundamentais de seus cidadãos.





