Ex-presidente passou pela sede da PF, pela ala especial da Papuda e por internações médicas até obter prisão domiciliar temporária de 90 dias para tratar quadro de broncopneumonia.
O ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, uma sequência de 125 dias sob custódia do Estado ao deixar o hospital e seguir para casa, em Brasília, onde passou a cumprir prisão domiciliar temporária. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por prazo inicial de 90 dias, em razão do quadro de saúde apresentado pelo ex-mandatário.
Bolsonaro estava preso desde 22 de novembro de 2025, quando foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Três dias depois, em 25 de novembro, começou oficialmente o cumprimento da pena de 27 anos e três meses imposta no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
A primeira fase da detenção ocorreu na sede da PF, onde Bolsonaro permaneceu por 54 dias em uma sala de Estado-Maior com regras rígidas de visita. Nesse período, a defesa insistiu em pedidos de prisão domiciliar, alegando piora do quadro clínico, dificuldades de sono e limitações estruturais do local. Ainda durante a permanência na PF, o ex-presidente precisou ser internado para procedimentos ligados a complicações abdominais, incluindo cirurgia de hérnia e intervenção para conter crises de soluços.
Em 15 de janeiro de 2026, Moraes autorizou a transferência do ex-presidente para a chamada “Papudinha”, ala especial do Complexo da Papuda destinada a presos com custódia diferenciada. Bolsonaro ficou ali por 57 dias, em espaço mais amplo e com rotina de visitas mais flexível. Foi também nesse período que recebeu autorização para leitura de obras literárias como forma de remição de pena, embora o STF ainda tenha negado, naquele momento, a ida para casa, sob o entendimento de que o sistema prisional tinha estrutura adequada para o tratamento de suas comorbidades.
A mudança de rumo só veio após a piora clínica registrada em março. Segundo Agência Brasil, Bolsonaro estava internado desde 13 de março para tratar pneumonia; a Reuters informou que o quadro envolveu pneumonia aguda, levando à decisão por uma domiciliar humanitária temporária, com reavaliação ao fim de 90 dias. Nesta sexta, ele recebeu alta, colocou a tornozeleira eletrônica às 8h45 e deixou o hospital cerca de uma hora depois para seguir ao endereço onde ficará monitorado.
A nova etapa, porém, impõe regras duras. A decisão prevê uso obrigatório de tornozeleira, monitoramento restrito ao endereço residencial, visitas controladas de familiares, livre acesso da equipe médica e dos advogados dentro das condições fixadas, além de proibição de celular, telefone, redes sociais e gravação de vídeos ou áudios. O benefício também pode ser revisto caso haja descumprimento das regras ou mudança no estado de saúde do ex-presidente.
Com isso, a trajetória de Bolsonaro na prisão passa a ter um novo capítulo: depois de quatro meses marcados por transferências, restrições, cirurgias e disputas judiciais, o ex-presidente deixa a cela, mas continua sob pena, agora dentro de casa e sob vigilância permanente do Supremo.



