CGU abre frente administrativa no Caso Master e aperta cerco sobre ex-chefes do Banco Central

Investigação interna mira Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, já afastados por ordem do STF, e amplia a pressão sobre servidores apontados como operadores internos dos interesses de Daniel Vorcaro.

A Controladoria-Geral da União abriu nesta segunda-feira (23) processos administrativos para apurar a conduta de dois servidores do Banco Central investigados no Caso Master. O foco recai sobre Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, nomes já alcançados pela apuração da Polícia Federal e por medidas cautelares determinadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Segundo a apuração divulgada nesta segunda, o PAD terá prazo inicial de 60 dias.

A nova ofensiva coloca o caso em duas frentes simultâneas: a criminal, conduzida no âmbito da Operação Compliance Zero, e a administrativa, agora sob responsabilidade da CGU. A leitura do governo é que não basta apurar eventual prática de crimes; será preciso examinar também se houve violação funcional dentro da estrutura do Banco Central.

Os dois já estavam afastados das funções. Em nota divulgada em 4 de março, o Banco Central informou que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores do quadro permanente durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. A autarquia afirmou ainda que afastou cautelarmente os envolvidos, abriu procedimentos correcionais e comunicou os indícios de crime à Polícia Federal.

No STF, o caso ganhou gravidade adicional quando André Mendonça autorizou medidas cautelares contra os dois no âmbito da investigação sobre supostas fraudes ligadas ao Banco Master. Em comunicado oficial, o Supremo informou que as restrições alcançaram Paulo Sérgio Neves de Souza e Belinne Santana, inserindo os dois no núcleo de apuração que mira a atuação do grupo de Daniel Vorcaro.

A pressão sobre Belline também chegou ao Congresso. O Senado confirmou a convocação do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária para depor na CPI do Crime Organizado, destacando que ele é alvo da investigação da PF sobre o esquema de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e que chefiou o Desup entre 2019 e 2024.

Com a entrada formal da CGU no caso, o escândalo avança para além do campo penal e passa a testar a resposta disciplinar do Estado a suspeitas de captura de áreas sensíveis da supervisão bancária. O movimento amplia o desgaste institucional do episódio e reforça a dimensão política e administrativa de um dos casos mais delicados já enfrentados pelo sistema financeiro brasileiro nos últimos meses.