Saída do advogado Kakay ocorre dias após investigação apontar que senador teria recebido R$ 500 mil mensais e vantagens ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master
O cenário político em Brasília ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (11) após o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido nacionalmente como Kakay, anunciar oficialmente sua saída da defesa do senador Ciro Nogueira no inquérito que investiga supostas relações financeiras entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A decisão acontece poucos dias depois de uma operação da Polícia Federal atingir diretamente o senador do Progressistas. A investigação aponta indícios de que Ciro teria recebido pagamentos mensais de R$ 500 mil, além de outras vantagens financeiras supostamente oferecidas por Vorcaro.
Em entrevista, Kakay afirmou que a saída ocorreu sem conflitos e foi tomada em consenso entre as partes.
“Conversei com ele [Ciro Nogueira] e resolvemos que seria melhor eu deixar, de comum acordo, a defesa. Só isso. Não aconteceu nada”, declarou o advogado.
Pouco antes da manifestação pública de Kakay, o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados divulgou nota oficial confirmando o encerramento da atuação no caso.
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, informou a banca.
A equipe jurídica que acompanhava o senador contava ainda com os advogados Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Operação amplia crise política
A investigação conduzida pela Polícia Federal aumentou a pressão sobre o entorno político de Ciro Nogueira, um dos principais nomes do centrão e figura influente nos bastidores de Brasília. Segundo informações reveladas no âmbito da operação, investigadores identificaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo pagamentos periódicos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O empresário é proprietário do Banco Master e já aparece em outras apurações recentes que também atingiram membros do Judiciário e empresários ligados ao setor financeiro.
A PF apura se os valores teriam sido utilizados para beneficiar agentes públicos, garantir influência política e fortalecer relações estratégicas dentro do cenário institucional brasileiro.
Embora o senador negue irregularidades, a investigação elevou a tensão política em Brasília e provocou forte repercussão entre aliados e adversários do parlamentar.
Pressão cresce no Congresso
A saída de Kakay da defesa de Ciro ocorre em meio ao avanço das discussões políticas sobre os impactos da operação. Nos bastidores do Congresso Nacional, parlamentares avaliam que o caso pode gerar novos desgastes para lideranças do centrão e influenciar diretamente articulações políticas para 2026.
Além disso, a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral da Quaest prevista para esta semana aumentou a expectativa em torno dos efeitos políticos da investigação sobre a imagem do senador.
Ciro Nogueira é considerado uma das figuras mais influentes do Progressistas e já ocupou o cargo de ministro da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Caso segue sob sigilo
Apesar das revelações já divulgadas, parte das investigações segue sob sigilo judicial. A Polícia Federal continua analisando documentos, movimentações financeiras e trocas de mensagens relacionadas ao caso.
Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira sustenta que o senador não cometeu qualquer irregularidade e afirma que irá colaborar com as investigações.
Enquanto isso, o episódio amplia o clima de instabilidade política em Brasília e coloca novamente sob os holofotes as relações entre o poder político, o sistema financeiro e os bastidores de influência na capital federal.





