Partido de Gilberto Kassab chega a 2026 com a maior rede municipal do país, bancadas robustas no Congresso e três nomes na disputa interna pela Presidência, em movimento para se apresentar como alternativa à polarização.
A poucos meses das eleições de 2026, o PSD entra no jogo nacional exibindo musculatura rara no sistema partidário brasileiro. Depois de sair das urnas de 2024 com 891 prefeitos eleitos, a legenda consolidou capilaridade municipal e chega ao ano eleitoral com 47 deputados federais e 14 senadores, o que a mantém entre as principais forças do Congresso.
Nos estados, o partido também ampliou espaço e reuniu uma vitrine de peso. Hoje, o PSD abriga governadores como Ratinho Junior, Eduardo Leite, Ronaldo Caiado, Raquel Lyra, Fábio Mitidieri e Marcos Rocha, combinação que reforça a presença da sigla em diferentes regiões e amplia sua capacidade de negociação política no plano nacional.
Sob o comando de Gilberto Kassab, a legenda tenta agora converter esse capital regional em protagonismo presidencial. O partido oficializou a existência de três pré-candidatos ao Palácio do Planalto — Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado — e promoveu em março um encontro para que os governadores apresentassem propostas e disputassem internamente a vaga. Nos bastidores, Ratinho aparece como favorito, e a definição do nome deve ocorrer até o fim de março.
O trunfo do PSD está justamente no modelo que consolidou a legenda desde sua criação: um equilíbrio pragmático, com liberdade para acordos regionais e trânsito entre diferentes campos políticos. Em vez de assumir identidade ideológica rígida, o partido aposta na flexibilidade para montar palanques, ampliar bancadas e se manter como peça central de governabilidade, vença ou não a corrida presidencial. Essa lógica ajuda a explicar por que a sigla segue avançando mesmo em um ambiente dominado por disputas mais radicalizadas.
O desafio, porém, continua alto. A polarização nacional segue apertando o espaço para uma terceira via. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 11 de março mostrou Lula e Flávio Bolsonaro numericamente empatados com 41% cada em um cenário de segundo turno, retrato que pressiona o PSD a decidir rapidamente se conseguirá transformar sua força territorial em competitividade real na disputa presidencial.
Entre o poder local e a ambição nacional, o PSD chega a 2026 como o partido que mais cresceu no centro político brasileiro. Resta saber se a sigla conseguirá levar sua estratégia de pragmatismo para além das alianças e convertê-la, de fato, em um projeto nacional capaz de romper a lógica da polarização.



